Uma sociedade verdadeiramente humana reconhece valor em todas as etapas da vida.
Porque a dignidade não tem idade, e o respeito nunca envelhece.
A história de Agostinho Brandão está na origem deste projeto.
O seu percurso de vida, os desafios associados ao envelhecimento e as experiências vividas pela nossa família inspiraram a criação do O Meu Caminho®.
Mais do que recordar uma pessoa, esta homenagem pretende preservar valores que nunca deveriam ser esquecidos: respeito, humanidade, proximidade e cuidado.
Esta é uma forma de honrar a sua memória e de transformar uma experiência pessoal num projeto de sensibilização, informação e reflexão que possa ser útil a outras pessoas e famílias.
O seu exemplo continua presente em cada passo deste caminho.
Este projeto procura contribuir para uma sociedade mais consciente, mais informada e mais próxima daqueles que enfrentam os desafios do envelhecimento, da dependência e da vulnerabilidade humana.
Muitas pessoas enfrentam a solidão, o isolamento, a doença, a dependência ou os desafios do envelhecimento sem a companhia e o apoio humano que gostariam de ter.
Por vezes, um simples gesto pode fazer toda a diferença: uma conversa, uma visita, algum tempo para ouvir ou simplesmente a disponibilidade para estar presente.
A companhia, a atenção e a proximidade humana são, muitas vezes, tão importantes como qualquer outro tipo de ajuda.
Se acredita na importância da solidariedade, da empatia e do apoio ao próximo, convidamo-lo a contactar-nos e a partilhar a sua disponibilidade.
Preencha o formulário abaixo e indique de que forma gostaria de colaborar, acompanhar ou ajudar.
Porque estar presente pode fazer a diferença no caminho de alguém.








É na solidão dos idosos, uma companheira que se instala sem convite. É nesta solidão que muitos idosos sentem-se como folhas caídas, levadas pelo vento sem destino certo. Nunca nos esqueçamos dos nossos idosos. Faça parte desta Família. Junte-se À Minha Causa.
Acreditamos que a dignidade humana não depende da idade, da condição física ou da autonomia. É um valor que pertence a cada pessoa simplesmente por existir, em qualquer etapa da vida.
Não se perde dignidade por precisar de ajuda para caminhar, para comer ou para vestir-se. Perde-se dignidade quando essa ajuda é dada sem cuidado, sem paciência, ou sem olhar a pessoa nos olhos.
Respeito é ouvir antes de decidir. É perguntar a opinião de quem está a ser cuidado, pedir consentimento antes de agir, e não presumir que já sabemos a resposta.
Está nos pequenos gestos do dia a dia — bater à porta antes de entrar, chamar a pessoa pelo nome que prefere, explicar em vez de impor — porque a sua vontade continua a contar, em qualquer fase da vida.
O amor por um pai deu origem a este projeto. É esse o amor que continua a guiar-nos: paciente, presente, sem pressa.
Porque cuidar de alguém que amamos não é uma obrigação — é a forma mais simples de dizer "ainda estás aqui, e isso importa".
O que já não faz falta à sua família pode fazer toda a diferença na vida de outra pessoa.
Todos os dias existem pessoas idosas, doentes e dependentes que necessitam de equipamentos de apoio e produtos essenciais para viver com mais conforto, segurança e dignidade.
Enquanto algumas famílias procuram uma cadeira de rodas, um andarilho, uma cadeira de banho ou até um simples pacote de fraldas, outros equipamentos e produtos permanecem guardados sem utilização.
Este espaço foi criado para aproximar quem pode ajudar de quem precisa de ajuda, promovendo a partilha, a reutilização e a solidariedade.
Uma cadeira de rodas pode devolver mobilidade.
Um andarilho pode devolver autonomia.
Uma cadeira de banho pode aumentar a segurança.
Um pacote de fraldas pode aliviar uma despesa que pesa todos os meses no orçamento de uma família.
Ao disponibilizar um produto ou equipamento, não está apenas a oferecer um objeto. Está a proporcionar conforto, apoio e qualidade de vida a alguém que enfrenta desafios diários.
Ajude-nos a fazer a diferença
Se tem equipamentos ou produtos que já não utiliza, considere dar-lhes uma nova oportunidade de ajudar.
Porque aquilo que para si pode parecer pouco, para alguém pode significar muito.

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A doação é muito mais do que entregar um objeto. É um gesto de amor, solidariedade, cidadania e respeito por quem enfrenta os desafios do envelhecimento, da doença ou da falta de recursos. Há sempre alguém que precisa de ajuda. Faça esse alguém feliz e dê uma nova vida ao que já não usa. Somos mais do que publicidade. Somos uma família.
"As histórias emocionam. As reflexões transformam. Neste espaço encontrará experiências, memórias e pensamentos que convidam a olhar para a vida com mais humanidade, respeito e esperança."
Cada vida guarda memórias, desafios, alegrias e lições que merecem ser partilhadas. Neste espaço encontrará histórias reais, testemunhos e reflexões sobre o envelhecimento, a dignidade, a família, a perda, a esperança e os valores humanos. Porque cada história transporta uma mensagem e cada reflexão pode inspirar, sensibilizar e transformar consciências.
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Numa manhã cinzenta de 10 de março, entrei naquele hospital com o coração cheio de esperança, ansiosa por finalmente levar o meu pai para casa. Fui cedo, decidida, com a alegria de quem sabia que aquele seria o dia do reencontro. Esperei pela sua alta — mas ninguém me disse a verdade sobre o seu real estado de saúde.
Quando finalmente entrei no quarto, o meu coração quase parou. Julguei-o morto. Ainda respirava, mas a vida parecia escapar-se-lhe rapidamente — algo muito diferente do que os registos desse dia indicavam. Na noite anterior, tínhamos falado, e eu prometera que o iria buscar.
Pedi um lençol para o cobrir, porque estava destapado, e recusaram-mo, dizendo que o hospital tinha poucos. Perguntei porque é que a urina não estava a correr no saco coletor, e a resposta que recebi, num tom que nunca esquecerei, foi: "não dá mais". Acredito que esta forma de me tratarem teve relação com duas reclamações que eu tinha feito anteriormente.
Ainda assim, quis cumprir a promessa que lhe tinha feito. Levei-o para casa, onde viria a falecer poucas horas depois, ao menos rodeado pela família e pelo amor que sempre mereceu.
Uma das imagens que mais me marcou foi vê-lo sujeito a medidas de contenção física — as mãos imobilizadas, fitas a apertarem-lhe o tórax. Independentemente das razões clínicas que possam ter existido, foi uma visão extremamente dolorosa, que ainda hoje me assombra.
Esta é a minha experiência — o relato sincero daquilo que vivi enquanto filha, nos últimos dias de vida do meu pai. Não pretende substituir nenhuma avaliação médica ou técnica. É apenas a forma como aqueles dias foram sentidos e vividos por quem o amava, e continua a amá-lo.
Partilho esta história porque acredito que a dignidade, a comunicação com as famílias e a humanização dos cuidados nunca deveriam depender da sorte. Que sirva, pelo menos, para que outras famílias sejam tratadas com mais verdade e mais compaixão.
Há registos de que, na Europa, entre os séculos XVII e XIX, se usavam correntes fixas às paredes para imobilizar pelos pulsos e tornozelos os doentes mais agitados, e até uma cadeira de encosto alto com uma caixa de madeira para imobilizar a cabeça — práticas que hoje olhamos como bárbaras e desumanas.
Ao acompanhar o internamento do meu pai, encontrei práticas que, embora diferentes na forma, me deixaram com a mesma pergunta: o que realmente mudou? Vi-o com as mãos imobilizadas, fitas a apertarem-lhe o tórax, e umas luvas — chamadas "luvas de contenção" — tão apertadas que os dedos não conseguiam esticar-se, ficando inchados dentro delas.
Era um homem de 96 anos, fragilizado pela doença, que não opôs resistência a ninguém. O que fez de mal foi simplesmente adoecer — e custa-me aceitar que isso possa, em qualquer circunstância, justificar tamanho desconforto.
A questão da contenção física em contexto hospitalar é complexa, e reconheço que pode existir, em certos casos, uma justificação clínica real. Mas, na perspetiva de quem acompanha como familiar, é essencial que haja comunicação clara sobre as razões da sua utilização, que dure apenas o tempo estritamente necessário, e que a dignidade da pessoa nunca seja esquecida no processo.
Esta reflexão nasce de uma experiência pessoal, vivida ao lado do meu pai. Partilho-a não para acusar quem cuida, mas para que cada caso de contenção física seja, de facto, tratado como a exceção que a lei prevê — e não como rotina.
Provar maus-tratos a um idoso dentro de um hospital é, muitas vezes, uma batalha quase impossível de vencer. Lesões físicas visíveis podem ser evidência; mas a violência mais subtil — sedação sem consentimento claro, isolamento, falta de informação — raramente deixa marcas que se possam fotografar.
Quando o próprio idoso não consegue comunicar, por doença, dores ou défice cognitivo, a situação torna-se ainda mais difícil. E quando é a família quem levanta a voz, é frequente ser rotulada como "confusa" ou "exagerada" — uma forma de desacreditar precisamente quem mais luta por respostas.
Vivi esta angústia em primeira pessoa. Visitas limitadas a poucos minutos, dificuldade em obter relatórios médicos claros, e a sensação constante de que, fora daquele curto período em que podia estar presente, não tinha forma de saber o que realmente se passava com o meu pai.
Sinto que, enquanto sociedade, ainda temos um longo caminho a percorrer: mais formação para os profissionais de saúde sobre os direitos dos idosos, protocolos claros de deteção e intervenção, maior transparência das instituições com as famílias, e apoio jurídico acessível a quem precisa de denunciar.
Se tiver dúvidas ou preocupações sobre os cuidados prestados a um familiar, pode contactar o serviço social do hospital, o Provedor do Doente da instituição, ou a Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Não hesite em fazer perguntas — é um direito seu.
Esta reflexão nasce da minha própria experiência. Partilho-a não para apontar culpados, mas para que outras famílias que sintam o mesmo saibam que não estão sozinhas — e para que se torne cada vez mais fácil, e não mais difícil, defender a dignidade de quem já não pode defender-se a si próprio.
Há frases bonitas sobre cuidados paliativos — "morrer com dignidade e conforto até ao fim" — que prometem um final sereno e acompanhado. Li-as antes de viver, na prática, uma realidade muito diferente.
Acompanhei o internamento do meu pai com a esperança de que essas palavras se cumprissem. Em vez disso, vi-o contido na cama durante praticamente todo o tempo, com luvas tão apertadas que as mãos ficavam inchadas, sem espaço para esticar os dedos.
Pergunto-me, ainda hoje: o que significa, na prática, "viver com dignidade até ao fim"? Será compatível com passar os últimos dias contido, com visitas limitadas, longe da família que mais queria estar perto?
Não escrevo isto para negar que existem profissionais e equipas que fazem um trabalho cuidadoso e humano nos cuidados paliativos — sei que existem, e sou-lhes grata onde os encontrei. Escrevo porque a distância entre a promessa e a realidade que vivi foi grande, e acredito que vale a pena falar sobre isso abertamente.
Que cada família que procura "morrer com conforto" para quem ama encontre, de facto, isso — não apenas a frase, mas a prática. É essa a mudança que continuo a desejar.
A Lei n.º 31/2018, de 18 de julho, reuniu e reforçou direitos que já existiam para as pessoas em fim de vida. Determina que a contenção física de doentes só deve acontecer em casos excecionais, com prescrição médica e reavaliação regular, e que os doentes e as suas famílias têm direito a informação clara sobre os diferentes cenários clínicos e os tratamentos disponíveis.
Conheço esta lei quase de cor. Mas conheci também a distância que pode existir entre o que está escrito numa folha e o que se vive dentro de um hospital. Vi pessoas idosas, já em fim de vida, amarradas a uma cama — e custa-me aceitar que isso possa alguma vez ser tratado como normal, seja qual for a idade ou a condição de quem ali está.
Não escrevo isto para acusar quem cuida. Sei que há muitos profissionais de saúde a fazer o possível com os recursos e o tempo que têm. Escrevo porque acredito que a dignidade não devia depender da sorte de calhar num determinado hospital, numa determinada equipa, ou num dia em que há tempo para explicar. A lei já existe; falta que a sua aplicação chegue, sempre, a todos.
Na altura, a nova legislação foi noticiada como um agrupar de direitos até então dispersos, com destaque para o direito à sedação paliativa em situações de sofrimento não controlado, e para regras mais claras sobre a contenção física — que, segundo especialistas em cuidados paliativos citados na imprensa, continuava a ser usada em alguns hospitais portugueses sem critério suficiente. A lei prevê ainda apoio e formação para os familiares e cuidadores de doentes em fim de vida.
Esta é a minha experiência e a minha perceção sobre o que vivi. Partilho-a na esperança de que sirva de conforto a outras famílias que sintam o mesmo, e para que a distância entre a lei e a realidade se torne, um dia, mais pequena.
Fonte de referência: Lei n.º 31/2018, de 18 de julho; Jornal Público, agosto de 2018.
O envelhecimento costuma trazer consigo diversas mudanças e desafios, além da perda ou redução da mobilidade, traz maior propensão a doenças, tais como demências, perda de visão e audição, traz também um silêncio, onde o tempo parece parar e as sombras se alongam preguiçosamente pelo chão, e onde habita uma solidão que poucos entendem verdadeiramente.
No entanto, há um poder inegável na companhia, por mais breve e fugaz que seja. Uma mão que se estende, um sorriso sincero, um olhar de compreensão podem mudar o mundo de um idoso solitário.
Uma carta escrita com carinho, uma chamada inesperada, um gesto de gentileza — são pequenas âncoras que mantêm os idosos ligados ao mundo, impedindo-os de se afundarem no mar da tristeza.
Que nunca nos esqueçamos dos nossos idosos, das suas histórias, das suas vidas tão ricas em experiências. Sejamos uma verdadeira companhia na vida dos idosos!
Todos, em algum momento da vida, vamos perder alguém que amamos. O luto é a resposta natural a essa perda — não é uma doença nem um problema a resolver, mas um processo profundamente humano, que cada pessoa vive ao seu próprio ritmo e à sua própria maneira.
Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreveu, no seu livro Sobre a Morte e o Morrer, cinco fases que observou em pessoas a enfrentar a proximidade da própria morte. Mais tarde, a mesma estrutura passou a ser usada também para descrever o luto de quem perde alguém querido. São estas as cinco fases, muitas vezes referidas pelo acrónimo DABDA:
A mente protege-se do choque inicial recusando-se, por instantes ou por dias, a aceitar a realidade da perda. É um mecanismo de defesa, não uma fraqueza — dá tempo para a pessoa se preparar, lentamente, para uma dor que de outra forma seria avassaladora de uma só vez.
Quando a negação se desfaz, é comum surgir revolta — contra a situação, contra os médicos, contra o destino, por vezes até contra a própria pessoa que partiu, ou contra nós próprios. É uma forma de a dor encontrar um lugar para onde ir.
Surgem os pensamentos do tipo "e se...": e se tivéssemos ido mais vezes ao médico, e se tivéssemos insistido mais, e se tivéssemos estado presentes naquele momento. É a mente a tentar, em retrospetiva, encontrar uma forma de evitar o inevitável.
A tristeza instala-se, muitas vezes acompanhada de solidão, cansaço e falta de sentido para o dia a dia. Não é um sinal de que algo corre mal — é o peso real da perda a ser sentido de frente, sem os mecanismos de defesa das fases anteriores.
Não significa deixar de sentir a falta, nem estar bem com o que aconteceu. Significa, simplesmente, encontrar uma forma de continuar a viver com essa perda — reconhecer que a vida continua, e que é possível voltar a sentir momentos de paz.
É importante dizer que estas fases não são um caminho obrigatório nem uma ordem fixa. Investigadores mais recentes, como o psicólogo George Bonanno, mostram que o luto é, na realidade, muito mais variado e individual do que este modelo sugere: há quem não passe por todas as fases, há quem as viva por outra ordem, e há quem regresse a uma fase que pensava já ter ultrapassado, meses ou até anos depois. Não existe um tempo certo, nem uma forma certa de sentir.
Talvez nunca "superemos" por completo a perda de quem amamos — e talvez não seja isso que devemos procurar. Mais do que ultrapassar o luto, podemos aprender a viver com ele, a transformar a dor em memória, e a manter viva, de outras formas, a presença de quem partiu.
Se sentir que a dor se torna demasiado pesada para enfrentar sozinho, procurar apoio psicológico não é um sinal de fraqueza — é um ato de cuidado consigo próprio. Não tem de viver este processo sozinho.
Fontes de referência: Kübler-Ross, E., Sobre a Morte e o Morrer (1969); Kübler-Ross, E. & Kessler, D., On Grief and Grieving (2005); Bonanno, G., The Other Side of Sadness (2009).
A dignidade humana não depende da idade, da condição física, da doença ou da autonomia. É um valor que pertence a cada pessoa simplesmente por existir.
Ao longo da vida, todos desejamos ser respeitados nas nossas escolhas, ouvidos nas nossas opiniões e reconhecidos pela nossa história. Esse desejo não desaparece quando envelhecemos. Pelo contrário, torna-se ainda mais importante nos momentos de maior fragilidade.
Muitas pessoas idosas enfrentam desafios difíceis. A perda de autonomia, a doença, a dependência de terceiros ou o afastamento da vida social podem criar sentimentos de tristeza, insegurança e vulnerabilidade. Nestes momentos, o respeito e a atenção dos outros tornam-se fundamentais.
Enquanto filha e cuidadora, aprendi que cuidar vai muito além das necessidades físicas. Cuidar é escutar. É estar presente. É reconhecer que por detrás de cada rosto existe uma vida inteira de experiências, sacrifícios, alegrias e memórias.
Acompanhar uma pessoa idosa permite-nos perceber que pequenos gestos podem ter um enorme significado. Uma palavra amiga, uma conversa tranquila, um sorriso, um momento de companhia ou simplesmente a disponibilidade para ouvir podem fazer uma diferença profunda no bem-estar de alguém.
Ao longo do meu percurso, vivi situações que me levaram a refletir sobre a importância de colocar sempre a pessoa no centro das decisões que lhe dizem respeito. Nem sempre é fácil encontrar respostas. Nem sempre existem soluções perfeitas. Mas acredito que todas as decisões devem procurar respeitar a vontade, os valores e a dignidade de cada ser humano.
O envelhecimento não retira valor a ninguém. Uma pessoa não deixa de merecer consideração porque precisa de ajuda para caminhar, porque depende de cuidados ou porque enfrenta limitações associadas à idade ou à doença.
Pelo contrário. São precisamente os momentos de maior fragilidade que mais exigem humanidade, empatia e respeito.
Em Portugal, este direito não é apenas uma convicção pessoal — está consagrado na Constituição da República, que garante às pessoas idosas o direito à segurança, a condições de vida e de convívio que respeitem a sua autonomia, e a oportunidades de participação ativa na vida da comunidade. Mas uma lei só tem valor real quando se reflete na prática do dia a dia.
Penso, também, naqueles que enfrentam a velhice sem ninguém por perto para os defender. A proteção dos idosos sem apoio familiar não pode depender apenas da boa vontade de quem os rodeia — é uma responsabilidade que cabe às instituições, aos profissionais de saúde e à sociedade como um todo.
Uma sociedade verdadeiramente humana mede-se pela forma como trata aqueles que mais precisam de proteção, apoio e compreensão. Os idosos não são um peso nem um problema a resolver. São pessoas com histórias únicas, que contribuíram para as suas famílias, para as suas comunidades e para a construção do mundo que hoje conhecemos.
A dignidade não deve ser apenas uma palavra presente em discursos ou documentos. Deve refletir-se nas atitudes diárias, na forma como comunicamos, na forma como cuidamos e na forma como olhamos para os outros.
É através do respeito, da presença e da humanidade que construímos relações mais justas e uma sociedade mais consciente.
Porque cada pessoa importa. Em todas as fases da vida.
A fé sempre foi o alicerce da minha família, enraizada tão profundamente que, mesmo diante das adversidades mais cruéis, permanecia inabalável, intocável. Recordo-me dos meus pais, Agostinho Brandão e Alice Silva, como verdadeiros pilares dessa fé, cuja devoção os conduzia à igreja todos os domingos, independentemente dos desafios que a vida lhes impusesse.
Na nossa pequena comunidade em Esmoriz, a presença deles na Missa era notável. A chapel da Penha testemunhava a sua devoção, com cada domingo marcado pela sua participação fervorosa. Lembro-me de ir à Missa à chapel da Penha com o meu pai, lembro-me de ir à Missa à igreja matriz com a minha mãe.
Além de assistirmos à Missa, foi-nos incutido rezar/orar, dizer orações a Deus e muitas vezes rezar o terço. Sabendo que os meus pais eram analfabéticos, tínhamos uma Bíblia, mas não a sabiam ler, ainda assim, as orações eram ditas eloquentemente, como se fossem grandes mestres, algo inexplicável.
A devoção a Deus e a Nossa Senhora de Fátima era tão profunda que os levava a percorrer duzentos quilómetros a pé, ano após ano, numa peregrinação que se tornou sagrada para eles. Com o avançar da idade, já não era tão fácil fazer o percurso, ainda assim esse compromisso persistiu, agora de carro, e eu, como sua filha, assumi o papel de guiá-los pelos caminhos que tantas vezes percorreram juntos.
Ver a fé inabalável dos meus pais, especialmente a devoção ao terço diário, era uma experiência única, principalmente o meu pai, que se colava à televisão, para ver e ouvir o terço no Santuário de Fátima, bem como a Missa aos domingos.
O meu pai comungava quase sempre semanalmente em casa. Ele, com os seus 96 anos, tinha perfeita noção que era muito mais do que receber a Hóstia consagrada. Era uma comunhão com o divino, uma expressão de amor e confiança que transcendia todas as palavras. Era mais do que um ritual; era uma participação na divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.
Com o passar do tempo, compreendi que a fé que os meus pais me transmitiram era uma herança; mais que herança era um legado de amor, devoção e compromisso com algo maior do que nós mesmos. Seguir os seus passos na fé é um desafio que assumo com humildade, sabendo que jamais poderei igualar a sua devoção inabalável. Mas é essa mesma fé que me inspira a continuar, a procurar a presença do divino em cada momento da minha vida.
As saudades invadem-me todos os dias, mas no dia em que regressei a casa de férias, senti-as de forma ainda mais intensa. A casa, outrora repleta de vida e alegria, parecia agora vazia, um eco do que foi.
A tua presença iluminava cada canto, trazia temas de conversa, sorrisos e gargalhadas. Mas, agora, só o silêncio e as sombras das memórias permanecem.
Ao entrar no quarto, vi a cama onde costumavas dormir, ainda com o teu cheiro, a tua marca. A tua cadeira favorita na sala, o teu prato preferido na cozinha, os teus talheres — tudo estava no seu lugar, como se à espera do teu regresso.
Fiz uma pequena arrumação e encontrei os teus chinelos, já velhos e gastos. Não tive coragem de os deitar fora. Lembrei-me de como tinha colocado elásticos atrás dos chinelos para não te fugirem dos pés. Lá estavam eles, guardando a tua essência.
As tuas músicas favoritas, aquelas que ouvíamos juntos no carro, tornaram-se insuportáveis de escutar. Cada nota, cada melodia, ao invés de me trazer conforto, carregam uma dor que rói, uma dor que não é física mas que me queima por dentro.
Fui ver-te ao cemitério onde estás sepultado. Falei contigo, como costumava fazer. Contei-te sobre a minha vida, as minhas angústias, as minhas saudades. Será que me ouviste? Quero acreditar que sim, que de alguma forma estás presente, a ouvir-me, a dar-me força.
As saudades são um fardo pesado. Carrego-as comigo todos os dias, tentando encontrar uma maneira de continuar sem ti. Tento focar-me nas lembranças felizes, nas lições que me ensinaste, no amor que partilhámos. Por fim, aceito que a saudade faz parte do amor que sinto por ti. A tua ausência é dolorosa, mas é também uma prova do quanto significaste para mim. Cada lágrima, cada suspiro, cada lembrança é um tributo ao amor de pai e filha que partilhámos. E, assim, com saudades, mas também com amor, sigo em frente, carregando-te sempre no meu coração.
No enredo do tempo, onde os fios da vida se entrelaçam em teias complexas, emerge a história singela, mas profundamente enriquecedora, dos meus pais. Desprovidos de riquezas materiais, encontraram na força do amor e na resiliência o alicerce para enfrentar os desafios e dedicar-se incansavelmente à família.
Com origens modestas, os meus pais enfrentaram as adversidades desde cedo. Viveram em casas pequeninas, quase como quartos, arrendadas, até construírem a sua pequena casa na localidade de Esmoriz, com muito sacrifício. Juntos, ergueram o seu lar sobre os alicerces da labuta árdua e da determinação. Apesar das suas limitações financeiras, criaram os seus oito filhos, enfrentando as vicissitudes com coragem e determinação.
Os luxos não existiam. As guloseimas era a regueifa branca e o queijo, era um privilégio semanal, trazidos pelo meu pai, após longas pedaladas de bicicleta, de Cortegaça a Espinho. Esperávamos sempre muito ansiosos pelo queijo e regueifa branca à segunda-feira. Nunca um pedacinho de queijo e uma pequena porção de regueifa me soube tão bem.
Ao jantar, quando podíamos estar todos ou quase todos juntos, fazíamos as refeições no chão, fazíamos uma roda, porque não tínhamos mesa. Refeições simples, partilhávamos não apenas o alimento, mas também a união familiar. Por vezes, ao jantar, tínhamos que repartir uma sardinha pelos outros, uma travessa de esmalte repleta de batatas e couves — suficientes para saciar a fome e nutrir a alma.
No meio das divergências que vieram depois, surge uma reflexão sobre o verdadeiro significado da riqueza. O amor, a compaixão, o perdão e a sabedoria, valores que transcendem o mundo material, são os verdadeiros pilares da felicidade. Os valores humanos não se compram!!!
Esta é a verdadeira riqueza que os meus pais me legaram, uma herança muito mais valiosa do que qualquer fortuna material.
O que me trouxe a tua partida? Esta pergunta tem trazido consigo uma mistura de sentimentos e reflexões que antes talvez ainda não tivesse permitido emergir.
Questiono-me se foi preciso a tua partida para que eu sentisse saudades, refletisse profundamente sobre a nossa família, sentisse a tua falta de forma tão intensa e carregasse estes remorsos tão grandes no peito.
Tu, que estavas sempre de braços abertos para todos e a quem uma pequena migalha de carinho fazia o dia. Não exigias, não estavas em posição de exigir; estavas apenas no teu canto, a olhar para aquela porta implacável que teimava em não abrir. Esperavas pacientemente que um pedacinho de amor caísse e te arrancasse um sorriso. A porta, todavia, continuou sempre fechada.
A velhice, muitas vezes, é vista como um estorvo. A morte, para muitos dos que cá ficam, é um consolo, um benefício, um alívio. Mas onde estão os valores que nos foram incutidos? Será que a sociedade já não nos transmite esses valores?
Os velhinhos e outras pessoas vulneráveis parecem não fazer parte da sociedade. Ficam para ali, num canto, como se não tivessem sentimentos, vontades, vozes, ouvidos. Não são informados, a sua opinião não interessa, e o que dizem muitas vezes não é bem aceite. Há uma clara imposição, visível em muitos contextos, mas talvez mais evidente no meio hospitalar.
Nos hospitais, esta imposição é particularmente preocupante. Os velhinhos são tratados com uma frieza que ignora a sua dignidade. Não lhes é dada voz, e as decisões são tomadas por eles, não com eles. Esta atitude desumaniza-os, reduzindo-os a meros objetos de cuidado, em vez de seres humanos com uma riquíssima história de vida.
Cada um de nós, em algum momento, pode encontrar-se na mesma posição. A nossa sociedade tem a responsabilidade de mudar esta realidade. É necessário lembrarmo-nos dos valores que nos foram incutidos e aplicá-los em todas as nossas ações. Afinal, um dia, todos nós poderemos encontrar-nos na mesma posição. A forma como tratamos os outros hoje refletir-se-á no modo como seremos tratados amanhã.
Desde criança, sempre soube que os meus pais eram diferentes, não sabiam ler nem escrever. Eles, que nunca tiveram a oportunidade de aprender a ler ou escrever, ensinaram-me lições que nunca encontrei em nenhum livro.
O meu pai, com orgulho e esforço, aprendeu a juntar as letras e assinar o seu nome, sem nunca ter ido à escola, um gesto simples que para ele era um marco de conquista.
O meu pai tinha um dom raro, uma espécie de fotocopiadora nos olhos. Observava e aprendia a fazer de tudo um pouco. Trabalhava com cordas de sisal, mas as suas habilidades não se limitavam a isso. Construiu portas com tábuas e pregos, preparava areia com cimento para assentar tijolos, pintava as paredes, e tantas outras coisas. Fez até uma bicicleta de madeira, algo que me parecia impossível. Ofereceu-me um compasso em criança, feito com uma lata de atum, um objeto simples que guardo religiosamente até hoje, símbolo do amor e dedicação que ele colocava em cada pequena coisa.
A minha mãe, por sua vez, transformava a cozinha num lugar mágico. Fazia pão num forno a lenha que era um verdadeiro estrondo, na época da Páscoa fazia regueifa doce no forno, e nós brincávamos com a massa doce. As suas comidas eram um banquete para a alma: tripalhada, rojões, arroz de forno e um assado. Nenhum restaurante conseguiu jamais replicar o sabor do seu assado, que guardo ainda na memória.
A minha mãe e o meu pai, com as mãos calejadas e o coração cheio de sonhos, mostraram-me que a verdadeira educação não está apenas nos livros, mas na vida, no exemplo diário, no amor e na dedicação.
A história deles é um testemunho da força do espírito humano, uma prova de que, mesmo sem saber ler ou escrever, é possível construir um legado que nem o tempo consegue apagar.
Naquele pequeno palheirinho, próximo do mar, viviam nos meses de verão Agostinho Brandão e Alice Silva. Ao longo de seis décadas de casamento, viram mais do que a maioria poderia imaginar.
Agostinho Brandão era um homem de mãos calejadas, sempre com o cheiro da fábrica nas roupas, ainda que nevasse, os pés nus sem meias e a tenacidade no rosto. Trabalhava incansavelmente, muitas vezes em dois empregos simultâneos com turnos opostos — ele era o exemplo claro da dureza da vida em Esmoriz. Alice Silva, a sua esposa, era, por outro lado, a força do lar. Fazia milagres com os poucos recursos que tinham para alimentar e educar os seus oito filhos.
Agostinho e Alice não chegavam a discutir a quem incumbia o quê nas tarefas — ele era pau para toda a colher: trabalhava em fábricas, fazia as compras, ia com os filhos ao médico, tratava da tasquinha que tiveram e dos fornecedores, sem que se ausentasse do local de trabalho. Parecia duplicar-se ou triplicar-se. Uma força da natureza — uma mão que o outro precisava sempre de ter.
O palheirinho da Praia de Esmoriz, erguido com muito esforço ao longo dos anos, foi sendo transformado em paredes de tijolo e cimento, inacabado, muito modesto. Cada tábua e prego contavam histórias de sacrifício e determinação. Muitas tábuas foram pregadas pelas mãos do Agostinho — não era da arte, mas tinha mãos que faziam milagres. Ainda hoje as janelas e portas, feitas por ele, sobrevivem. Já com bicho da madeira e a desfazerem-se, mas lá vai mais uma lata de tinta que cobre as falhas e mata o bicho. Havia dias difíceis, mas também risos e canções ao entardecer, quando o sol se punha no horizonte. Não foi sempre fácil, mas valeu sempre a pena.
Valeu a pena ver Agostinho e Alice juntos naquele palheirinho, valeu a pena vê-los ao pôr do sol junto ao mar, valeu a pena acordar com o cheiro a maresia, valeu a pena o pouco descanso bem merecido do Agostinho — que parecia uma formiga com toda a sua força a arrastar, carregava comida para a família, para que não passasse fome.
Os anos foram passando, os filhos cresceram e saíram em busca dos seus próprios caminhos. Agostinho e Alice viram a sua família expandir-se com a chegada de onze netos, que traziam vida e alegria àquela casa. Agora, continuava a ser um palheiro na praia — mas recheado de tudo o que de imaterial era relevante.
Não foram poupados dos reveses da vida, em especial o Agostinho, que antes de casar com a Alice tinha perdido, ainda na sua juventude, a sua primeira esposa Ana Rosa e com ela um filho no seu ventre. Depois de mais de 60 anos de casados, perdeu a sua Alice — a sua companhia, o amor da sua vida. E logo a seguir, de forma repentina e inesperada, três dos seus filhos partiram antes dele, inclusive o mais novo. Uma dor que o Agostinho carregou no peito como um peso eterno.
Agostinho continuou sozinho, com uma coragem indescritível. Otimista, sem perceber onde ia buscar as forças, caminhou inabalável pelo trajeto da sua velhice. Mantinha-se sempre bem-disposto, a saúde a degradar-se como parte do processo de envelhecer, os filhos restantes cada vez mais ocupados e distantes. Restou-lhe aprender a viver novamente. Seria a sabedoria — ou seriam as lições mais cruéis da vida — que o fizeram manter-se firme, de cabeça erguida, até ao fim.
Quando Alice partiu, deixou para trás uma vida de trabalho árduo, mas também um legado de amor e dedicação. Agostinho, mesmo com o coração pesado, encontrou consolo nos anos de lembranças partilhadas. Aquela casinha — agora um santuário de memórias — testemunhou uma história de vida que nenhum dinheiro poderia comprar. Era o ninho de uma família que, apesar de todas as dificuldades, soube encontrar a felicidade em cada pequeno momento.
Cada brisa daquela praia e cada metro daquela casa contam a história de um mar de gente — a da minha família.
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Análise ao sangue pode vir a diagnosticar Alzheimer
Um estudo científico liderado pelo investigador Nicholas Ashton, especialista em Psiquiatria e Neuroquímica da universidade de Gotemburgo, na Suécia, conclui que uma simples análise ao sangue pode ser o caminho para diagnosticar, de forma precoce, a doença de Alzheimer. O estudo incluiu 786 participantes, uns com sinais de demência, outros sem qualquer sintoma. Estas pessoas foram submetidas a exames cerebrais, punções lombares e recolha de sangue. A análise ao sangue serve para medir os níveis de uma proteína denominada p-tau217, um marcador de alterações biológicas que acontecem ao nível do cérebro quando a doença de Alzheimer está em desenvolvimento.
Assim sendo, é possível prever, através desta análise, se uma pessoa poderá vir a ter a doença, mesmo antes de se desenvolverem sintomas. “O que impressiona nestes resultados é o facto de a análise ao sangue ter tanta precisão como os testes avançados, como as análises ao líquido cefalorraquidiano e os exames cerebrais, para mostrar a patologia da doença de Alzheimer no cérebro”, disse à CNN Internacional Nicholas Ashton, principal autor deste estudo.
Richard Oakley, diretor de pesquisa e inovação da britânica Alzheimer’s Society enfatiza a importância deste trabalho, desenvolvido na Suécia. “Este estudo é um passo extremamente bem-vindo na direção certa, pois mostra que os exames de sangue podem ser tão precisos quanto testes mais invasivos e caros para prever se alguém tem características da doença de Alzheimer no cérebro”, frisa. Este investigador vai mais longe e acrescenta, ao jornal The Guardian: “Além disso, sugere que os resultados destes testes podem ser suficientemente claros para não exigirem mais investigações de acompanhamento para algumas pessoas que vivem com a doença de Alzheimer, o que poderia acelerar significativamente o caminho do diagnóstico no futuro. No entanto, ainda precisamos de mais pesquisas em diferentes comunidades para compreender a eficácia destes exames de sangue em todas as pessoas que vivem com a doença de Alzheimer.”
Atualmente, as únicas maneiras de comprovar que alguém está a desenvolver a proteína p-tau217 no cérebro, são através de uma punção lombar, um exame invasivo, que requer a inserção de uma agulha na parte inferior das costas, entre os ossos da coluna, ou então através de uma tomografia por emissão de positrões (PET). Esta é uma técnica de imagem médica recente que utiliza moléculas que incluem um componente radioativo. Este, por sua vez, permitirá detetar e localizar reações bioquímicas associadas a determinadas doenças, entre as quais neurológicas, como é o caso da doença de Alzheimer.
Sheona Sclares, diretora de pesquisa no Alzheimer’s Research UK, no Reino Unido, também acredita no potencial das descobertas feitas pelo estudo levado a cabo na universidade de Gotemburgo. “Este estudo sugere que a medição dos níveis da proteína p-tau217 no sangue pode ser tão precisa quanto as punções lombares usadas atualmente para detetar as características biológicas da doença de Alzheimer, e superior a uma série de outros testes atualmente em desenvolvimento. Isto soma-se a um crescente conjunto de evidências de que este teste específico tem um enorme potencial para revolucionar o diagnóstico de pessoas com suspeita de Alzheimer”, explicou a investigadora, também ao The Guardian.
Fonte: Diário de Notícias (DN), 23 de janeiro de 2024, com base no estudo de Ashton, N. et al., publicado na revista JAMA Neurology.
As válvulas cardíacas de substituição que crescem dentro do corpo estão um passo mais perto da realidade, após estudos liderados por pesquisadores do Imperial.
A cirurgia para substituir válvulas cardíacas defeituosas é possível há mais de 60 anos, mas o tratamento apresenta desvantagens médicas, tanto nas válvulas mecânicas quanto nas biológicas. Mas e se os mecanismos naturais de reparação do corpo pudessem ser aproveitados para construir uma válvula cardíaca viva, exatamente onde ela é necessária?
Estudos recentes liderados por pesquisadores do Harefield Hospital e do Imperial’s National Heart and Lung Institute sugerem que esta abordagem é inteiramente possível.
A substituição da válvula cardíaca é um tratamento que salva vidas, mas raramente é uma solução a longo prazo. Ambas as válvulas mecânicas e biológicas têm suas próprias desvantagens. Pacientes com válvulas mecânicas devem tomar medicamentos pelo resto da vida para prevenir a coagulação sanguínea. As válvulas biológicas, por outro lado, duram apenas entre 10 a 15 anos. O tratamento é particularmente desafiador para crianças com defeitos cardíacos congênitos, pois as válvulas não crescem junto com seus corpos e devem ser substituídas diversas vezes antes de atingirem a idade adulta.
A nova abordagem desenvolvida pela equipe de Sir Magdi Yacoub em Harefield e Imperial é muito mais adaptável.
“O objetivo do conceito que desenvolvemos é produzir uma válvula viva no corpo que seja capaz de crescer com o paciente” diz o Dr. Yuan-Tsan Tseng um cientista de biomateriais que trabalha no Instituto Nacional do Coração e Pulmão e o Centro de Ciências do Coração Harefield. O procedimento começa com uma válvula polimérica nanofibrosa, mas feita de uma estrutura de polímero biodegradável, em vez de um plástico durável. “Uma vez dentro do corpo, a estrutura recruta células e instrui o seu desenvolvimento, para que o corpo funcione como um biorreator para o crescimento de novos tecidos”, explica o Dr. “A estrutura degrada-se gradualmente e é substituída pelos próprios tecidos do nosso corpo.” O material de andaime usado para fazer a válvula é a principal inovação. “Ele tem a capacidade de atrair, abrigar e instruir células apropriadas do próprio corpo do paciente, facilitar assim a geração de tecido e manter a função da válvula.”
Fonte: Imperial College London News, 31 de janeiro de 2024 ("New heart treatment helps the body grow a replacement valve").
Estudo histórico revela 42 novos genes associados ao aumento do risco da doença de Alzheimer
Um novo e importante estudo internacional envolvendo investigadores da Universidade de Cardiff identificou 75 genes associados a um risco aumentado de desenvolver a doença de Alzheimer, incluindo 42 novos genes que não tinham sido anteriormente implicados na doença. Além de confirmar descobertas anteriores que implicam as proteínas beta-amilóide e tau que se acumulam dentro e ao redor das células nervosas à medida que a doença progride, o estudo fornece evidências convincentes para apoiar o papel da inflamação e do sistema imunológico na doença. A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, uma condição que afecta mais de 850.000 pessoas no Reino Unido.
O maior estudo deste tipo envolveu investigadores que analisaram o genoma de mais de 100.000 pessoas com doença de Alzheimer e compararam-nos com mais de 600.000 indivíduos saudáveis para procurar diferenças na composição genética.
No Reino Unido, o projeto foi co-liderado pelas pesquisadoras Dra. Rebecca Sims e pela Professora Julie Williams, do UK Dementia Research Institute (UK DRI) da Universidade de Cardiff, e financiado pelo Medical Research Council.
As descobertas foram publicadas hoje na revista Nature Genetics. Rebecca Sims, investigadora sénior da Universidade de Cardiff e co-investigadora do DRI do Reino Unido, e co-líder do estudo, disse:
“Este estudo mais do que duplica o número de genes identificados que influenciam o risco para a forma mais comum da doença de Alzheimer. Ele fornece novos alvos interessantes para intervenção terapêutica e aumenta nossa capacidade de desenvolver algoritmos para prever quem desenvolverá Alzheimer mais tarde na vida”.
Fonte: Universidade de Cardiff / UK Dementia Research Institute, 4 de abril de 2022, com base no estudo publicado na revista Nature Genetics.
Exame de sangue pode detetar osteoartrite 8 anos antes, raio-X
Um exame de sangue pode detectar osteoartrite nos joelhos até oito anos antes de aparecer nos raios X – gerando esperanças de um tratamento preventivo. A doença – que se pensa afetar mais de cinco milhões de pessoas no Reino Unido – ocorre quando a cartilagem da articulação do joelho se rompe, tornando-a dolorida e rígida. A doença geralmente não é detectada até que já tenha causado danos estruturais à articulação. A cirurgia tem sido a única opção disponível para muitos, com mais de 120.000 substituições de joelho realizadas no Reino Unido a cada ano. Mas o novo teste, que pode detetar a doença com anos de antecedência, poderá proporcionar uma “janela de oportunidade” para restaurar a saúde das articulações.
Um exame de sangue pode detectar osteoartrite nos joelhos até oito anos antes de aparecer nos raios X – levando à esperança de um tratamento preventivo (imagem de banco de imagens) Mas o novo teste, que pode detectar a doença com anos de antecedência, pode fornecer uma “janela de oportunidade” para restaurar a saúde das articulações (imagem de stock) A doença geralmente não é encontrada até que já tenha causado danos estruturais à articulação (imagem de banco de imagens) A professora Virginia Kraus, da Faculdade de Medicina da Universidade Duke, disse: “Atualmente, você precisa fazer um raio-X anormal para mostrar evidências claras de osteoartrite do joelho, e quando isso aparecer no seu raio-X, sua doença vem progredindo há algum tempo. 'O que o nosso exame de sangue demonstra é que é possível detectar esta doença muito antes do que os diagnósticos atuais permitem.' Os principais sintomas da osteoartrite são dores nas articulações, rigidez e problemas de movimentação da articulação. Algumas pessoas também apresentam inchaço, sensibilidade e sons ásperos ou crepitantes quando se movem. Quase todas as articulações podem ser afetadas, mas na maioria das vezes causa problemas nos joelhos, quadris e pequenas articulações das mãos. Os pesquisadores analisaram soro sanguíneo de 200 mulheres – metade com diagnóstico de osteoartrite e a outra metade sem a doença. As descobertas, publicadas na revista Science Advances, mostraram bio marcadores – assinaturas no sangue – que distinguiram as mulheres com osteoartrite do joelho daquelas sem ela.
O teste detetou sinais da doença até oito anos antes de muitas das mulheres serem diagnosticadas por raio-X. A cirurgia tem sido a única opção disponível para muitos, com mais de 120.000 substituições de joelho realizadas no Reino Unido a cada ano (imagem de stock) Os pesquisadores analisaram soro sanguíneo de 200 mulheres – metade com diagnóstico de osteoartrite e a outra metade sem a doença (imagem de banco de imagens) “Isso é importante porque fornece evidências de que existem anormalidades na articulação que podem ser detectada por bio marcadores sanguíneos muito antes que os raios X possam detetar a osteoartrite”, acrescentou o professor Kraus. 'A osteoartrite em estágio inicial pode fornecer uma janela de oportunidade para interromper o processo da doença e restaurar a saúde das articulações.' Atualmente não existem curas para a osteoartrite, mas o sucesso de futuras terapias poderá depender da identificação precoce da doença e do abrandamento da sua progressão. A causa é desconhecida, mas acredita-se que a idade avançada, a obesidade e o fato de ser mulher aumentem o risco.
Fonte: Daily Mail (Reino Unido), 26 de abril de 2024, com base no estudo de Kraus, V.B. et al., da Universidade Duke, publicado na revista Science Advances.
Novo medicamento pode ajudar a reduzir sinais de deterioração motora no Parkinson
Anticorpo monoclonal Prasinezumab mostra-se promissor em retardar a rápida progressão do Parkinson Num estudo recente publicado na revista Nature Medicine, uma grande equipa internacional de investigadores conduziu uma análise exploratória para avaliar se o anticorpo monoclonal prasinezumab, que anteriormente se tinha observado ser eficaz no retardamento da progressão dos sinais motores da doença de Parkinson, , de fato mostraram benefícios em subgrupos de pacientes com doença de Parkinson com progressão mais rápida da degeneração motora. Fundo Uma marca registada da doença de Parkinson é a agregação de α-sinucleína, que se acredita se propagar entre os neurônios e contribuir para a patogénese da doença de Parkinson. Uma das primeiras opções terapêuticas para atingir a α-sinucleína agregada foi o anticorpo monoclonal prasinezumab, que foi investigado em ensaios clínicos de fase II entre pacientes com doença de Parkinson em fase inicial que fizeram parte do estudo PASADENA.
O objetivo primário dos ensaios de fase II do estudo PASADENA foi a Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson da Movement Disorder Society ou pontuação MDS-UPDRS. Embora o anticorpo monoclonal não tenha sido eficaz em todos os parâmetros do MDS-UPDRS, em comparação com indivíduos tratados com placebo, aqueles que receberam prasinezumab apresentaram progressão mais lenta da degeneração associada ao motor. Além disso, a equipe também acreditava que é improvável que as subescalas do MDS-UPDRS mostrem mudanças em períodos de observação curtos, como um ano.
Sobre o estudo No presente estudo, a equipe examinou o impacto do prasinezumabe no retardamento da progressão da degeneração motora em subgrupos de pacientes com Parkinson que apresentavam a forma da doença de rápida progressão. Dado que as subescalas MDS-UPDRS podem não mostrar alterações de curto prazo associadas ao tratamento, a observação de subgrupos com a forma de progressão rápida da doença de Parkinson poderia ajudar a melhorar a relação sinal-ruído e revelar efeitos potenciais do tratamento com anticorpos monoclonais. O estudo PASADENA consistiu em três tratamentos – placebo, 1.500 mg de prasinezumabe e 4.500 mg de prasinezumabe. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente nos três grupos após serem estratificados por idade (acima ou abaixo de 60 anos), sexo e uso de inibidor da monoamina oxidase B. Pacientes em uso de outros medicamentos sintomáticos para a doença de Parkinson, como agonistas da dopamina ou levodopa no início do estudo, foram excluídos. Nos casos em que o uso desses medicamentos foi considerado imperativo, os escores da MDS-UPDRS foram calculados antes do início do tratamento. O presente estudo examinou o impacto do prasinezumabe entre pacientes que estavam em uso de doses estáveis de inibidores da monoamina oxidase B no início do estudo e que exibiram outros indicadores de progressão mais rápida da doença. As análises das seis subpopulações primárias pré-especificadas incluídas nas fases I e II do estudo PASADENA incluíram apenas os resultados de quatro subpopulações. As subpopulações foram baseadas no uso de inibidores da monoamina oxidase B, estágio 2 ou estágio Hoehn e Yahr versus estágio 1 da doença de Parkinson, aqueles com e sem REM ou distúrbio comportamental do sono de movimento rápido dos olhos e aqueles com fenótipo maligno difuso versus fenótipo maligno não difuso. A análise também foi estratificada ao longo de seis subpopulações exploratórias com base em idade, sexo, duração da doença, idade no diagnóstico e subfenótipos motores, como tremor dominante versus disfunção de marcha rígida acinética ou instabilidade postural. Além disso, uma vez que estudos anteriores não relataram resposta à dose, os dois grupos de tratamento consistindo de 1.500 mg e 4.500 mg de prasinezumabe foram agrupados para análise.
Resultados Os resultados sugeriram que o prasinezumab foi mais eficaz no retardamento da progressão dos sinais motores em pacientes com doença de Parkinson com a forma da doença que progride rapidamente. As análises de subpopulações revelaram que os pacientes com fenótipos malignos difusos, ou aqueles que estavam em uso de inibidores da monoamina oxidase B no início do estudo, que são indicadores de rápida progressão da doença, apresentaram sinais mais lentos de degeneração motora associada em comparação com os pacientes com fenótipos que não indicavam degeneração motora rápida. progressão da doença de Parkinson. A pontuação MDS-UPDRS parte III, que corresponde aos sinais motores avaliados pelo médico, mostrou um aumento ou agravamento mais lento da degeneração nos pacientes tratados com prasinezumab do que naqueles tratados com placebo. As partes I e II da pontuação MDS-UPDRS correspondem aos sinais motores e não motores relatados pelo paciente, respectivamente. Os pesquisadores acreditam que, uma vez que os dados indicaram uma progressão mais rápida ao longo da parte III do MDS-UPDRS em comparação com as partes I e II, a parte III ou os sinais motores avaliados pelo médico podem preceder as alterações das partes I e II. Estas descobertas também indicam que são necessários períodos de observação mais prolongados para avaliar com precisão o efeito potencial de tratamentos como o prasinezumab. Conclusões Globalmente, os resultados sugeriram que o anticorpo monoclonal prasinezumab poderia potencialmente ser utilizado para retardar a progressão da degeneração associada ao motor em pacientes com a forma de progressão rápida da doença de Parkinson. Além disso, são necessários períodos de observação mais prolongados para observar o impacto do tratamento com prasinezumab em pacientes com a forma de progressão lenta da doença. Além disso, ensaios clínicos randomizados adicionais precisam validar ainda mais esses achados.
Fonte: News-Medical.net, 19 de abril de 2024, com base no estudo de Pagano, G. et al., publicado na revista Nature Medicine.
As quedas são uma das principais causas de lesão, hospitalização e perda de autonomia nos idosos. Estima-se que cerca de um em cada três adultos com mais de 65 anos sofre pelo menos uma queda por ano. A boa notícia é que a maioria das quedas pode ser prevenida com medidas simples e eficazes.
Exercício físico regular — A prática de atividades que trabalhem o equilíbrio, a força muscular e a flexibilidade reduz significativamente o risco de queda. Exercícios como Tai Chi, caminhada, yoga adaptado e fisioterapia específica são altamente recomendados.
Revisão da medicação — Alguns medicamentos como sedativos, anti-hipertensores ou diuréticos podem causar tonturas ou hipotensão ortostática (queda de pressão ao levantar). O médico deve rever periodicamente toda a medicação em uso.
Avaliação da visão e audição — Dificuldades visuais são um fator de risco importante. Consultas regulares ao oftalmologista e o uso de óculos adequados são essenciais.
Calçado adequado — Sapatos com sola antiderrapante e suporte no tornozelo reduzem o risco. Pantufas largas, chinelos sem calcanhar fixo e meias lisas são perigosos.
Adaptação do ambiente doméstico — Tapetes soltos, pisos escorregadios, má iluminação e ausência de barras de apoio são fatores de risco que podem ser facilmente eliminados.
Após uma queda, mesmo sem lesão aparente, é importante informar o médico, pois pode ser sinal de um problema de saúde subjacente que merece avaliação.
Fonte de referência: Direção-Geral da Saúde (Norma n.º 008/2019, Prevenção e Intervenção na Queda do Adulto) e Organização Mundial da Saúde.
A demência não começa de forma abrupta. Na maioria dos casos, os primeiros sinais são subtis e podem ser confundidos com o envelhecimento normal. Reconhecê-los precocemente é fundamental para garantir um diagnóstico atempado e acesso aos apoios adequados.
Esquecimentos que perturbam o quotidiano — Esquecer informações recém-aprendidas, repetir as mesmas perguntas ou as mesmas histórias com frequência, esquecer datas importantes ou recorrer cada vez mais a auxílios de memória (listas, lembretes) de forma invulgar para essa pessoa.
Dificuldade em planear ou resolver problemas — Problemas em seguir uma receita conhecida, dificuldade em gerir contas bancárias ou em perceber instruções simples.
Desorientação em relação ao tempo e ao espaço — Perder a noção do dia, do mês ou do ano; ficar desorientado em locais familiares; não compreender como chegou a determinado sítio.
Alterações de humor e personalidade — Ansiedade, depressão, irritabilidade ou suspeição sem motivo aparente; afastamento de atividades sociais ou de hobbies que antes davam prazer.
Dificuldades na linguagem — Parar a meio de uma conversa sem saber como continuar, repetir-se, ter dificuldade em encontrar palavras simples.
Se notar estes sinais numa pessoa próxima, consulte o médico de família. Um diagnóstico precoce permite um tratamento mais eficaz, apoio à família e planeamento do futuro com maior serenidade.
Fonte de referência: Alzheimer Portugal e Organização Mundial da Saúde.
A alta hospitalar é muitas vezes um momento de alívio — mas também de grande responsabilidade para o doente e para a família. Os primeiros dias em casa após uma hospitalização são críticos e requerem atenção e organização.
Antes de sair do hospital — Certifique-se de que recebe a carta de alta com toda a informação relevante: diagnóstico, medicação prescrita, cuidados a ter, sinais de alerta e consultas de seguimento marcadas. Não hesite em pedir esclarecimentos à equipa de saúde enquanto ainda está internado.
A medicação — Verifique se toda a medicação prescrita está disponível. Se houver dúvidas sobre doses, horários ou possíveis interações, fale com o farmacêutico. Nunca interrompa ou altere a medicação sem orientação médica.
Consulta de seguimento — Marque ou confirme a consulta de seguimento. Se o doente não se sentir em condições de se deslocar, informe o médico ou enfermeiro de família para que possam ser acionados os apoios necessários.
Sinais de alerta — Fique atento a febre, piora dos sintomas, dificuldade respiratória, confusão súbita, dor intensa ou qualquer alteração inesperada. Em caso de dúvida, contacte a linha de saúde SNS 24 (808 24 24 24) ou dirija-se ao serviço de urgência.
Apoio em casa — Avalie se a pessoa consegue assegurar os cuidados básicos (alimentação, higiene, mobilidade) de forma autónoma. Caso contrário, explore os apoios disponíveis: familiares, cuidadores informais, serviços de apoio domiciliário (SAD) ou lares de acolhimento temporário.
A transição do hospital para casa deve ser encarada como uma continuidade dos cuidados, e não como o fim do tratamento.
Fonte de referência: Serviço Nacional de Saúde (SNS) e Direção-Geral da Saúde.
A solidão é um dos maiores desafios do envelhecimento. Estima-se que cerca de um terço dos idosos em Portugal vive sozinho, e uma parte significativa destes relata sentimentos de solidão crónica. Este não é apenas um problema emocional — tem consequências graves para a saúde física e mental.
Impacto na saúde — A solidão crónica está associada a maior risco de depressão, ansiedade, declínio cognitivo, demência, doenças cardiovasculares e até mortalidade precoce. Alguns estudos comparam o efeito da solidão na saúde ao de fumar 15 cigarros por dia.
Causas frequentes — Perda do cônjuge ou de amigos próximos, limitações de mobilidade, saída dos filhos de casa, reforma (que elimina os contactos do trabalho), doença crónica ou incapacidade, e a deslocação para uma instituição.
O que pode ajudar — Visitas regulares de familiares e amigos, mesmo que breves. Participação em centros de dia, grupos de convívio ou atividades comunitárias. Contacto com voluntários ou grupos de apoio. Telefonemas regulares, videochamadas ou cartas escritas à mão. Companhia de um animal de estimação, quando possível.
O papel de cada um de nós — Verificar regularmente um vizinho idoso que vive sozinho. Oferecer um transporte para uma consulta. Fazer uma chamada inesperada. Estas pequenas ações podem significar muito para quem passa os dias em silêncio.
A solidão não tem de ser inevitável. Com atenção, presença e solidariedade, podemos construir uma sociedade onde nenhum idoso se sinta esquecido.
Fonte de referência: Comissão da Organização Mundial da Saúde sobre Conexão Social.
Cuidar de uma pessoa dependente é um ato de amor profundo — mas é também uma das tarefas mais exigentes que alguém pode assumir. O impacto na saúde mental dos cuidadores informais (geralmente familiares) é real, frequente e muitas vezes invisível.
O que é a síndrome do cuidador? — É um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem quando a pessoa que cuida de outrem negligencia as suas próprias necessidades. Inclui cansaço extremo, irritabilidade, tristeza, sentimentos de culpa, ansiedade, perda de interesse em atividades que antes davam prazer e, em casos mais graves, depressão.
Sinais de alerta — Dormir mal ou em excesso. Esquecer compromissos ou dificuldades de concentração. Irritar-se facilmente com a pessoa a quem cuida, seguido de sentimentos de culpa intensos. Sentir que não tem vida própria. Adoecer com mais frequência.
O que pode ajudar — Aceitar ajuda de outros familiares ou amigos, sem sentir que é uma fraqueza. Procurar grupos de apoio a cuidadores (existem presencialmente e online). Falar com o médico de família sobre o próprio estado de saúde. Reservar tempo para si — mesmo que sejam apenas alguns minutos por dia. Informar-se sobre os serviços de apoio ao domicílio e internamentos temporários (descanso do cuidador).
Cuidar de si é cuidar melhor do outro — Um cuidador esgotado não consegue prestar os melhores cuidados. Reconhecer os próprios limites não é abandonar — é ser responsável.
Se é cuidador e se reconhece nestes sinais, fale com o seu médico. Não está sozinho.
Fonte de referência: Ordem dos Psicólogos Portugueses e Organização Mundial da Saúde.
O apoio domiciliário — também conhecido como Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) — é uma resposta social que permite à pessoa idosa ou dependente permanecer no seu domicílio, com qualidade de vida e segurança. Mas muitas famílias não sabem quando ou como pedir este serviço.
Quando está na hora de pedir apoio domiciliário? — Quando a pessoa já não consegue realizar as tarefas básicas de higiene pessoal de forma autónoma. Quando tem dificuldade em preparar refeições ou fazer a sua alimentação com segurança. Quando a mobilidade está comprometida e o risco de queda é elevado. Quando existe risco de esquecimento da medicação ou sinais de confusão mental. Quando o cuidador familiar está a chegar ao limite das suas forças. Quando a pessoa vive sozinha e existem preocupações com a sua segurança.
O que inclui o SAD? — Higiene pessoal e cuidados de imagem. Preparação e apoio nas refeições. Tratamento de roupa. Acompanhamento ao exterior (consultas, farmácia). Apoio psicossocial. Em alguns casos, cuidados de enfermagem em domicílio.
Como aceder? — O pedido pode ser feito na Santa Casa da Misericórdia local, na câmara municipal, em IPSS da área de residência, ou através do médico de família ou assistente social. Existe comparticipação do utente conforme o rendimento do agregado familiar.
Pedir apoio não é um fracasso — é garantir que a pessoa recebe os cuidados de que precisa, com dignidade, no seu próprio ambiente.
Fonte de referência: Segurança Social e Carta Social (Rede de Serviços e Equipamentos Sociais).
Quando uma pessoa perde mobilidade ou autonomia, o ambiente doméstico pode tornar-se uma fonte de riscos. Adaptar a casa é uma das medidas mais eficazes para garantir segurança, conforto e independência, evitando acidentes e prolongando a permanência da pessoa no seu lar.
Casa de banho — É o espaço de maior risco. As adaptações mais importantes incluem: barras de apoio junto à sanita e no duche; cadeira de banho ou base de duche nivelada com o chão; piso antiderrapante ou tapete com ventosas; alargamento da porta se necessário para cadeira de rodas.
Corredores e passagens — Retire tapetes soltos e obstáculos no chão. Assegure largura suficiente para deambulação com apoio (bengala, andarilho) ou cadeira de rodas. Instale corrimãos nos corredores, se possível.
Quarto — A cama deve ter a altura certa para facilitar entrar e sair. Uma cama articulada pode ser essencial em situações de maior dependência. Certifique-se de que o interruptor da luz está acessível da cama.
Iluminação — Mantenha a casa bem iluminada, especialmente à noite. Luzes de presença nos corredores e na casa de banho reduzem o risco de quedas noturnas.
Acessos ao exterior — Rampas em substituição de degraus ou escadas, sempre que possível. Corrimãos firmes nas escadas existentes.
Existem subsídios e apoios para adaptação do domicílio — informe-se junto da câmara municipal, do centro de saúde ou da Segurança Social da sua área de residência.
Fonte de referência: Instituto Nacional para a Reabilitação (INR).
A desidratação é um problema frequente e sério nos idosos, muitas vezes subestimado tanto pelos próprios como pelos familiares e cuidadores. Com o envelhecimento, a sensação de sede diminui — o que significa que o organismo pode estar a precisar de líquidos sem que a pessoa o sinta.
Porquê os idosos são mais vulneráveis? — Para além da diminuição da sensação de sede, os rins perdem eficiência com a idade, a capacidade de concentrar a urina diminui, e alguns medicamentos (como diuréticos) aumentam a perda de líquidos. Doenças como diabetes ou diarreia agravam ainda mais o risco.
Sinais de desidratação — Urina escura ou com cheiro forte. Boca seca e lábios gretados. Cansaço excessivo ou sonolência. Tonturas, especialmente ao levantar. Confusão mental ou agitação súbita (pode ser o único sinal visível em idosos). Diminuição da produção de urina.
Consequências — A desidratação pode causar quedas, confusão, infeções urinárias, insuficiência renal, e em casos graves, hospitalização e morte.
O que fazer — Oferecer líquidos regularmente ao longo do dia, mesmo que a pessoa não peça. Não esperar pela sensação de sede. Água, chás, sopas, gelatinas e frutas com alto teor de água (melancia, laranja, melão) são boas opções. Em períodos de calor intenso, doença ou febre, aumentar a ingestão de líquidos.
Um simples copo de água oferecido com atenção pode prevenir uma ida às urgências. Este é um dos cuidados mais acessíveis e mais importantes que podemos prestar a um idoso.
Fonte de referência: Direção-Geral da Saúde e Organização Mundial da Saúde.
Os cuidados paliativos são uma abordagem especializada que visa melhorar a qualidade de vida de doentes com doenças graves, incuráveis ou em fase avançada — e das suas famílias. Ao contrário do que muitos pensam, não se destinam apenas aos últimos dias de vida: podem e devem ser iniciados desde o momento do diagnóstico de uma doença grave.
O que são cuidados paliativos? — São cuidados centrados na pessoa e não na doença. O objetivo é aliviar o sofrimento físico (dor, dificuldade respiratória, náuseas), psicológico (ansiedade, depressão, medo), social e espiritual. Não pretendem acelerar nem adiar a morte — pretendem garantir que a vida que resta seja vivida com a maior qualidade possível.
Quem pode beneficiar? — Doentes com cancro em fase avançada. Doentes com insuficiência cardíaca, respiratória ou renal grave. Doentes com demência avançada. Doentes com doenças neurológicas degenerativas (como ELA, Parkinson avançado). Qualquer pessoa com doença limitante da vida, independentemente da idade.
Onde são prestados? — Em unidades hospitalares especializadas, em unidades de cuidados paliativos, em lares com equipas especializadas, e cada vez mais em domicílio, através de equipas comunitárias de suporte.
O papel da família — Os cuidados paliativos incluem sempre o apoio à família, antes e após a morte do doente. O luto é parte integrante deste cuidado.
Em Portugal, o acesso aos cuidados paliativos ainda é desigual. Informar-se, reivindicar e apoiar o seu desenvolvimento é também uma forma de defender a dignidade de todos.
Fonte de referência: Organização Mundial da Saúde (definição oficial de cuidados paliativos).
Os maus-tratos a idosos são uma realidade que existe em todos os contextos sociais — em casa, em instituições e na comunidade. Muitas vezes são silenciosos, invisíveis e difíceis de provar. Reconhecê-los é o primeiro passo para os combater.
Tipos de maus-tratos — Maus-tratos físicos: bofetadas, empurrões, contenção física desnecessária, administração de medicação sem consentimento. Maus-tratos psicológicos: humilhações, ameaças, isolamento, infantilização, ignorar a presença da pessoa. Maus-tratos financeiros: gestão abusiva de bens, pressão para alterar testamentos ou transferir dinheiro. Negligência: não prestar os cuidados básicos de higiene, alimentação, medicação ou atenção médica. Abandono: deixar a pessoa sozinha em situação de dependência sem suporte adequado.
Sinais de alerta — Marcas físicas inexplicadas (nódoas negras, feridas). Alteração súbita do comportamento (ansiedade, medo, recolhimento). Má nutrição ou desidratação sem causa aparente. Isolamento do idoso em relação a familiares ou amigos. Relutância em falar na presença de determinadas pessoas. Sinais de má higiene ou vestuário inadequado.
O que fazer? — Se suspeita de maus-tratos, não ignore. Contacte o médico de família, o centro de saúde, a linha de apoio à vítima (116 006), a Segurança Social ou, em caso de perigo imediato, as autoridades (PSP/GNR). Em Portugal, a denúncia pode ser feita de forma anónima.
Nenhum idoso deve sofrer em silêncio. Cabe a todos nós ser guardiões da dignidade dos mais vulneráveis.
Fonte de referência: Organização Mundial da Saúde e APAV — Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
"O conhecimento é o primeiro passo para agir. A informação é um direito de todos."
Aqui encontra informação prática, os seus direitos e orientação para as situações mais difíceis que famílias e cuidadores podem enfrentar — desde o reconhecimento de maus-tratos até aos apoios legais e sociais disponíveis em Portugal.
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Os maus-tratos a pessoas idosas acontecem com mais frequência do que se imagina e atravessam todas as classes sociais — podem ocorrer em casa, em instituições ou em público. São muitas vezes ocultados pelo silêncio, pelo medo de represálias, ou pela vergonha de quem os sofre.
Se suspeitar de maus-tratos, não ignore. Contacte o médico de família, o centro de saúde, a linha de apoio à vítima (116 006), a Segurança Social ou, em perigo imediato, as autoridades (PSP/GNR). Em Portugal, as denúncias podem ser feitas anonimamente.
Nenhuma pessoa idosa deve sofrer em silêncio. Cabe a todos nós ser guardiões da dignidade dos mais vulneráveis.
A negligência distingue-se de um erro clínico pontual: é a omissão reiterada de cuidados básicos a que a pessoa tinha direito — higiene, alimentação, hidratação, vigilância de saúde ou administração correta de medicação.
Pedir explicações não é desconfiança — é um direito. E exercê-lo pode evitar que a mesma situação aconteça a outra família.
Internar um familiar é um momento de vulnerabilidade. Conhecer os direitos do doente e da família ajuda a atravessar esse período com mais confiança.
A Lei n.º 15/2014 consagra o direito ao acompanhamento familiar durante internamentos, sempre que a equipa de saúde o considere adequado — situação que se aplica frequentemente a idosos, pessoas com deficiência ou doentes em fim de vida. Este direito só pode ser limitado por razões clínicas devidamente justificadas.
O doente — ou o seu representante — tem direito a ser informado sobre o diagnóstico, estado de saúde, tratamento proposto e alternativas existentes, em linguagem clara e compreensível.
A Lei n.º 31/2018 estabelece que conter um doente só é admissível em situações excecionais, devidamente prescritas e reavaliadas regularmente — nunca como rotina ou conveniência dos profissionais.
Peça para falar com o enfermeiro chefe, direção clínica ou serviço social do hospital. Se não for resolvido, recorra ao Livro de Reclamações ou à ERS.
A alta hospitalar marca o fim do internamento, mas não o fim dos cuidados — e os primeiros dias em casa são muitas vezes os mais delicados. Saber o que exigir antes de sair pode evitar regressos evitáveis ao hospital.
A pessoa consegue gerir higiene, alimentação e medicação sozinha? Se não, ative apoio: Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), cuidadores informais ou, em casos de maior dependência, cuidados continuados.
Febre, agravamento dos sintomas, confusão súbita, dificuldade respiratória ou dor intensa — contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou vá às urgências.
Uma alta bem preparada é uma alta mais segura — para o doente e para quem cuida.
Reclamar não é um ato de hostilidade — é um direito legalmente garantido e, muitas vezes, a única forma de garantir que uma situação é corrigida.
Guarde sempre cópia de tudo o que enviar e registe a data de cada contacto.
Apresentar queixa pode prevenir que a mesma situação aconteça a outra família.
Em Portugal, os direitos e deveres dos utentes dos serviços de saúde estão consolidados na Lei n.º 15/2014. Conhecê-los é o primeiro passo para os reivindicar.
Estes direitos não são um favor — são a base mínima de cuidados de saúde dignos.
O processo clínico é o conjunto de registos médicos, exames, diagnósticos, prescrições e relatórios relativos a um doente, mantidos pela instituição de saúde onde foi tratado.
A instituição deve responder ao pedido em 10 dias úteis. Em caso de processos mais complexos ou volumosos, o prazo pode ser prorrogado, devendo a instituição justificar o atraso.
A consulta do processo clínico é gratuita. A emissão de cópias pode estar sujeita ao pagamento de uma taxa correspondente ao custo de reprodução (fotocópias, CD, etc.), salvo isenções previstas na lei.
Posso pedir o processo de um familiar já falecido?
Sim, desde que demonstre um interesse legítimo (por exemplo, no âmbito de um processo judicial ou administrativo).
Posso pedir apenas uma parte do processo?
Sim. Pode especificar o período, o serviço ou o tipo de documentos que pretende (ex: apenas notas de enfermagem, exames de imagem, relatórios de alta).
Uma reclamação é a forma formal de manifestar insatisfação relativamente aos cuidados de saúde recebidos, ao atendimento, a falhas de organização ou a comportamentos de profissionais de saúde.
A instituição deve responder à reclamação apresentada no Livro de Reclamações no prazo de 15 dias úteis. A ERS analisa reclamações e pode solicitar esclarecimentos à instituição, podendo o processo demorar várias semanas.
A reclamação pode ser anónima?
Pode, mas reclamações identificadas têm normalmente um acompanhamento mais eficaz, pois permitem resposta direta ao reclamante.
Reclamar pode afetar a continuidade dos cuidados?
Não deve. As instituições têm o dever de garantir que a reclamação não condiciona a qualidade do tratamento prestado.
O direito de acompanhamento permite que uma pessoa em internamento hospitalar tenha junto de si, durante o período de internamento, um acompanhante de sua livre escolha.
Qualquer pessoa indicada pelo doente ou, no caso de menores ou pessoas sem capacidade de decisão, pelo seu representante legal — habitualmente um familiar, mas pode ser qualquer pessoa da confiança do doente.
O direito de acompanhamento pode ser limitado por razões clínicas devidamente justificadas (por exemplo, em unidades de cuidados intensivos, isolamento por infeção, ou quando a presença do acompanhante interfira com os cuidados prestados). Estas limitações devem ser explicadas à família e não podem ser arbitrárias.
O acompanhante pode ser substituído por outra pessoa durante o internamento?
Sim, o doente ou o seu representante pode alterar a indicação do acompanhante a qualquer momento.
O hospital pode cobrar pela presença do acompanhante?
Não pode ser exigido pagamento pelo exercício deste direito, embora algumas instituições disponibilizem, de forma opcional, serviços adicionais (refeições, cama articulada) que podem ter custo.
O Testamento Vital, formalmente designado Diretiva Antecipada de Vontade (DAV), é um documento através do qual uma pessoa maior de idade e capaz manifesta antecipadamente a sua vontade quanto aos cuidados de saúde que deseja, ou não deseja, receber caso se encontre incapaz de exprimir essa vontade de forma pessoal e autónoma (por exemplo, em estado de coma ou doença terminal).
Qualquer pessoa maior de idade, que não se encontre interdita ou inabilitada por anomalia psíquica, e que se encontre capaz de dar consentimento informado no momento em que outorga o documento.
O Testamento Vital é válido por 5 anos, podendo ser renovado. Pode ser alterado ou revogado em qualquer momento, enquanto o outorgante tiver capacidade para tal.
O médico é obrigado a seguir o Testamento Vital?
Sim, salvo se as circunstâncias clínicas concretas não corresponderem às previstas no documento, ou se existirem evidências de que o outorgante teria outra vontade.
Quem pode consultar o documento?
As equipas de saúde que prestem cuidados ao outorgante, através do RENTEV, sempre que necessário para a tomada de decisões clínicas.
O Atestado Médico de Incapacidade Multiuso é um documento que comprova o grau de incapacidade de uma pessoa, atribuído por uma junta médica, e que serve de base para o acesso a benefícios fiscais, prestações sociais e outros apoios.
Qualquer cidadão que considere ter uma incapacidade igual ou superior a 60%, resultante de doença, acidente ou deficiência, de carácter permanente ou de evolução previsível superior a um ano.
A junta médica determina a percentagem de incapacidade. Se for igual ou superior a 60%, é emitido o Atestado Multiuso, válido por tempo determinado ou, em alguns casos, com carácter definitivo.
O pedido tem custos?
A avaliação por junta médica no âmbito do SNS não tem, em regra, custos para o requerente.
Posso recorrer se não concordar com a percentagem atribuída?
Sim, é possível solicitar reavaliação ou apresentar recurso da decisão da junta médica, dentro dos prazos definidos na notificação.
O Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) consiste na prestação de cuidados e serviços a pessoas e famílias no seu domicílio, quando estas não podem assegurar, temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e/ou atividades de vida diária.
O custo do SAD é, em regra, calculado de acordo com o rendimento per capita do agregado familiar, segundo uma tabela definida pela instituição com base em normas da Segurança Social. Pode existir um valor mínimo e um valor máximo (teto), atualizados periodicamente.
Existe lista de espera?
Sim, em muitas zonas a procura é superior à oferta, pelo que pode haver lista de espera. Recomenda-se contactar várias instituições da área.
O SAD substitui um cuidador familiar?
Não substitui na totalidade, mas é um complemento importante que permite aliviar a sobrecarga do cuidador familiar.
A Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), comummente designada por "lar", é um equipamento social que presta alojamento coletivo e cuidados de saúde, alimentação, higiene e conforto a pessoas idosas, com o objetivo de proporcionar serviços de apoio adequados às necessidades dos residentes.
Posso visitar sem aviso prévio?
Em princípio sim — instituições que dificultam visitas sem aviso prévio devem ser vistas com atenção redobrada.
O que fazer se suspeitar de maus tratos?
Pode apresentar queixa junto da Segurança Social, da ERS (se houver cuidados de saúde envolvidos) ou, em casos graves, às autoridades policiais e ao Ministério Público.
A Segurança Social disponibiliza um conjunto de prestações e apoios destinados a pessoas idosas, pessoas com deficiência ou incapacidade, e a quem cuida de familiares dependentes.
Os requisitos variam por prestação, mas em geral exigem: residência legal em Portugal, situação de dependência ou incapacidade comprovada (frequentemente através do Atestado Multiuso ou de avaliação específica), e rendimentos do agregado familiar dentro dos limites definidos para cada apoio.
Posso acumular vários apoios?
Depende das regras específicas de cada prestação — algumas são acumuláveis, outras não. É recomendável esclarecer caso a caso junto da Segurança Social.
Quanto tempo demora a resposta?
Varia conforme a prestação e a necessidade de avaliações complementares, podendo ir de poucas semanas a alguns meses.
O Estatuto do Cuidador Informal reconhece formalmente a pessoa que, de forma permanente ou não, presta cuidados a um familiar ou pessoa próxima em situação de dependência, atribuindo-lhe direitos e apoios específicos.
O cônjuge, unido de facto, ou um parente ou afim até ao 4.º grau da linha reta ou colateral da pessoa cuidada, maior de idade, sem prejuízo da sua situação laboral, que assuma a responsabilidade pelo seu acompanhamento e cuidados.
Pessoa que se encontre numa situação de dependência que exija acompanhamento permanente de outra pessoa, devido a perda de autonomia, deficiência, doença ou outro motivo reconhecido pelas entidades competentes (ex: através de avaliação da dependência).
Posso ser cuidador informal e trabalhar ao mesmo tempo?
Sim. A lei prevê mecanismos de conciliação, como a flexibilização de horário, sem prejuízo do reconhecimento do estatuto.
O subsídio é compatível com outras prestações?
Existem regras específicas de acumulação que devem ser verificadas junto da Segurança Social, caso a caso.
O reconhecimento é definitivo?
Não necessariamente — pode estar sujeito a reavaliações periódicas da situação de dependência e das condições do cuidador.
Produtos de apoio são quaisquer equipamentos, instrumentos, materiais ou sistemas técnicos utilizados por uma pessoa com deficiência ou em situação de dependência, especialmente concebidos ou disponíveis para prevenir, compensar, atenuar ou neutralizar uma limitação funcional. Incluem, por exemplo, cadeiras de rodas, andarilhos, camas articuladas, almofadas anti-escaras, próteses, ortóteses, e equipamento de apoio à comunicação.
Pessoas com deficiência ou incapacidade comprovada, beneficiárias do Serviço Nacional de Saúde ou de subsistemas de saúde, mediante prescrição médica e avaliação da necessidade clínica e funcional.
Posso comprar o produto antes de ter a aprovação?
Não é recomendável, uma vez que a comparticipação está, em regra, condicionada à aprovação prévia do pedido. Comprar antes pode significar perder o direito ao reembolso.
Existem bancos de ajudas técnicas para produtos usados?
Sim, várias IPSS, autarquias e associações disponibilizam bancos de ajudas técnicas, onde é possível obter ou doar equipamento já utilizado, geralmente sem custos ou a custos muito reduzidos.
A RNCCI é uma parceria entre os Ministérios da Saúde e do Trabalho e Segurança Social que assegura cuidados de saúde e apoio social a pessoas em situação de dependência.
A comparticipação do utente varia conforme o tipo de unidade e o rendimento do agregado familiar. Em alguns casos pode ser gratuita.
Quando uma pessoa perde capacidade de tomar decisões por si própria, pode ser necessário que um familiar ou pessoa de confiança a represente legalmente.
A procuração autoriza outra pessoa a agir em nome do mandante. Pode ser geral ou específica (para gerir contas bancárias, vender um imóvel, etc.). Deve ser feita por escrito e, em muitos casos, com reconhecimento notarial.
Ao abrigo da Lei n.º 25/2012, qualquer pessoa pode nomear um procurador para tomar decisões sobre cuidados de saúde em seu nome, caso perca a capacidade de o fazer. Esta nomeação é registada no RENTEV.
A Lei n.º 49/2018 criou o regime do Maior Acompanhado, que permite ao tribunal nomear um acompanhante para apoiar uma pessoa adulta que não consiga gerir os seus interesses por razões de saúde ou deficiência.
O pedido pode ser feito pelo próprio, por familiares próximos ou pelo Ministério Público, no Tribunal de Família e Menores da área de residência.
"A fase final da vida merece a mesma atenção, respeito e humanidade que todas as etapas do nosso percurso."
Perante sofrimentos irremediáveis e terríveis, a jornada para o fim deveria ser feita com serenidade, afeto, conforto e amor.
Quando a fragilidade aumenta e a autonomia desaparece, aquilo que verdadeiramente importa não são apenas os tratamentos ou os cuidados técnicos. Importa a forma como olhamos para a pessoa e a acompanhamos ao longo do seu caminho.
Os idosos não precisam apenas de cuidados. Precisam de respeito, de presença, de carinho e da certeza de que a sua vida continua a ter valor em cada momento.
Nenhuma pessoa deveria enfrentar os seus últimos dias sentindo-se abandonada, invisível ou esquecida.
Nem sempre conseguimos eliminar a dor. Nem sempre conseguimos evitar o sofrimento. Nem sempre conseguimos alterar o destino.
Mas podemos escolher cuidar com humanidade.
"Frio é sempre frio, dor é sempre dor, morte é sempre morte, mas com respeito, carinho, dignidade e amor, chega-se à morte a sorrir."
"Cada idoso abandonado é uma memória que se apaga lentamente. Nenhuma vida perde valor por envelhecer. A dignidade também precisa de cuidado."
"Não estamos sozinhos. Há sempre alguém que já caminhou por onde nós caminhamos."
Uma parede de amor e memória. Deixe aqui uma mensagem ao seu velhinho ou velhinha — presente ou que já partiu. Porque o amor não tem prazo.
"Pai, a tua ausência deixou um silêncio impossível de preencher, mas também um amor impossível de apagar. Obrigada por tudo o que me ensinaste, pelo exemplo de coragem, determinação, resistência e fé que sempre tiveste, mesmo nos momentos mais difíceis da vida."
Emília B.
Santa Maria da Feira · Filha
"Avó Maria, lembro-me do teu sorriso e do cheiro da tua cozinha. Nunca percebi por que te deixamos ir para um lar. Hoje sei que errei e peço-te perdão."
Ricardo S.
Porto · Neto
"Para todos os velhinhos que passam o dia sozinhos à janela à espera que alguém passe. Vocês não foram esquecidos."
Ana C.
Coimbra · Cuidadora
"Minha mãe, aos 91 anos ainda tinha brilho nos olhos quando a visitava. Obrigado por teres lutado tanto. A tua força é a minha inspiração diária."
João F.
Braga · Filho
"Para o Sr. António, de 94 anos, que me ensinou que envelhecer com dignidade é uma arte. Cuidar de si foi uma honra."
Sofia M.
Faro · Enfermeira
"Avó Zé, ainda me lembro das tuas histórias de guerra. Viveste tanto, sofreste tanto e sempre com um sorriso. O mundo é menor sem ti."
Margarida L.
Setúbal · Neta
"Pai, a tua ausência deixou um silêncio impossível de preencher, mas também um amor impossível de apagar. Obrigada por tudo o que me ensinaste, pelo exemplo de coragem, determinação, resistência e fé que sempre tiveste, mesmo nos momentos mais difíceis da vida."
Emília B.
Santa Maria da Feira · Filha
"Avó Maria, lembro-me do teu sorriso e do cheiro da tua cozinha. Nunca percebi por que te deixamos ir para um lar. Hoje sei que errei e peço-te perdão."
Ricardo S.
Porto · Neto
"Para todos os velhinhos que passam o dia sozinhos à janela à espera que alguém passe. Vocês não foram esquecidos."
Ana C.
Coimbra · Cuidadora
"Minha mãe, aos 91 anos ainda tinha brilho nos olhos quando a visitava. Obrigado por teres lutado tanto. A tua força é a minha inspiração diária."
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