Portugal é hoje um dos países mais envelhecidos da Europa. Por trás dessa estatística, há histórias como estas — vividas todos os dias por quem sente a solidão de perto.
Vivo numa aldeia no interior. A minha casa é a última da rua e, no inverno, passam-se dias em que não vejo vivalma. O telefone já quase não toca.
Manuel, 84 anos
Interior Norte
Vivo com a minha filha e os netos, a casa está sempre cheia de barulho. Mas ninguém me pergunta como estou. Sinto-me invisível dentro da minha própria casa.
Rosa, 79 anos
Área metropolitana de Lisboa
Depois que o meu marido partiu, a casa ficou enorme demais para mim sozinha. Falo mais com a televisão do que com pessoas, de segunda a domingo.
Fernanda, 88 anos
Viúva há 6 anos
Se eu caísse hoje dentro de casa, só dariam por mim quando o leite do leiteiro começasse a acumular-se à porta. Já contei: podem passar até dez dias sem ninguém bater.
António, 91 anos
Vive sozinho, Bragança
No lar, à sexta-feira, via os outros a arranjarem-se para as visitas do fim de semana. Eu também me arranjava. Ninguém veio nos últimos dois anos. Continuo a arranjar-me na mesma.
Isaura, 86 anos
Lar de idosos, Porto
O meu filho só me liga quando precisa de dinheiro emprestado. Dou sempre, mesmo sabendo. É a única forma que tenho de ouvir a voz dele.
Joaquim, 79 anos
Pai de três filhos
* Testemunhos ilustrativos, baseados em relatos e estudos reais sobre solidão na terceira idade em Portugal. Fontes: INE, OMS, Pordata.